Comissão é a parte do valor de cada atendimento que fica com o profissional. Parece simples, até aparecerem as perguntas: e quando o cliente paga no cartão? E pacote? E produto? Abaixo, a conta passo a passo, com exemplos em reais. As porcentagens e taxas são exemplos: use as que você combinou com a sua equipe.
A conta básica
A comissão é o valor do serviço multiplicado pela porcentagem combinada.
No salão, a mesma conta vale para cabeleireira, manicure, esteticista ou designer de sobrancelha. Uma manicure com 50% em uma mão de R$ 35 fica com R$ 17,50.
Sobre o valor cheio ou sobre o líquido?
Essa é a dúvida que mais gera discussão. Quando o cliente paga no cartão, a maquininha fica com uma parte. A pergunta é: a comissão é calculada antes ou depois dessa taxa?
- Sobre o valor cheio: mais simples de entender, e o salão absorve a taxa inteira.
- Sobre o líquido: a taxa é dividida na proporção da comissão. Mais justo para o salão, mas exige mostrar a taxa de cada pagamento, ou vira desconfiança.
Pacotes, produtos, descontos e gorjeta
- Pacotes: divida o valor do pacote pelo número de sessões. Um pacote de 4 cortes por R$ 120 vale R$ 30 por corte, e a comissão é sobre esses R$ 30, a cada corte feito.
- Desconto e cupom: a comissão costuma ser sobre o valor que o cliente realmente pagou, e não sobre o preço de tabela. Combine isso antes.
- Produtos vendidos: em geral têm uma porcentagem própria e menor que a do serviço, porque o salão comprou o produto.
- Gorjeta: é do profissional, inteira, e fica fora da conta da comissão.
Quando e como pagar
Pagar por semana ou por quinzena é o mais comum, e quanto mais curto o período, menos acúmulo e menos erro. Em cada pagamento, entregue um extrato com os atendimentos do período, o valor de cada um, a base usada e a comissão. Se um pagamento foi estornado ou corrigido, a comissão daquele atendimento acompanha.
Combine por escrito
A Lei do Salão-Parceiro (Lei nº 13.352/2016) permite que salões e profissionais trabalhem em parceria, com um contrato que define a parte de cada um em cada atendimento. Ter esse acordo por escrito, com a porcentagem, a base de cálculo e a data de pagamento, protege os dois lados. Para montar o contrato do seu caso, converse com um contador.
Sem planilha
A conta em si é fácil. O que dá trabalho é fazer dezenas de vezes por semana, separar por profissional, descontar a taxa certa de cada pagamento e não esquecer nenhum atendimento. É aí que a planilha erra e a confiança da equipe sofre.
Veja também como funciona para salão de beleza, barbearia e esmalteria.


